“O que são as crianças na teologia de São Paulo ?”
(Publicado por Fábio)
Interroguei-me acerca da razão de Paulo empregar sempre o adjectivo νήπιος,α,ον - pequenito; imaturo; inocente; menor de idade
em:
Rm 2.20; 1Cor 3.1; Gl 4.1; 1Cor 13.11
e não o substantivo:
παιδίον, ου - criança, menino, infante
Creio que, São Paulo quis precisar, que os destinatários das suas cartas eram adultos infantis, imaturos, de menor idade em relação ao conhecimento de Jesus Cristo.
O esforço por ele desencadeado para instruir esses cristãos,
afigurava-se-lhe infrutífero. Os Romanos, Coríntios e Gálatas não tinham ainda a maturidade na Fé que Paulo desejava.
Como resposta à pergunta colocada no título do artigo pode dizer-se:
CRIANÇA é o CRISTÃO IMATURO no conhecimento Cristológico.
Nos Sinópticos aparece sempre o substantivo παιδίον, ου, quer referido ao Jesus – Menino: Lc 1.80; Mt 2.8; Mt 2.14
Quer em relação às crianças em geral:
Jesus toma a criança como exemplo de simplicidade:
Mt 18.2; Mc 9.36; Lc 9.47
Jesus abençoa as crianças:
Mt 19.13; Mc 10.13; Lc 18.15
Em Lc é usado o substantivo βρέφος; ους - pequenino; menininho
domingo, 9 de maio de 2010
Fil.2,6-11 e 3,4-11
Fil. 2, 6-11
Tende entre vós os mesmos sentimentos, que estão em Cristo Jesus:
6Ele, que é de condição divina,
não considerou como uma usurpação ser igual a Deus;
7no entanto, esvaziou-se a si mesmo,
tomando a condição de servo.
Tornando-se semelhante aos homens
e sendo, ao manifestar-se, identificado como homem,
8rebaixou-se a si mesmo,
tornando-se obediente até à morte
e morte de cruz.
9Por isso mesmo é que Deus o elevou acima de tudo
e lhe concedeu o nome
que está acima de todo o nome,
10para que, ao nome de Jesus,
se dobrem todos os joelhos,
os dos seres que estão no céu,
na terra e debaixo da terra;
11e toda a língua proclame:
"Jesus Cristo é o Senhor!",
para glória de Deus Pai.
Da prisão,Paulo escreve aos irmãos filipenses um apelo emocionante e encorajador para serem unidos e constantes. O hino cristologico vem dar um tom elevado a compreensão da nossa adesão ao Cristo nossa salvação. Na carta aos Filipenses estamos perante uma teologia do dom muito bem elaborada. Por outra lado temos um Paulo que nos exorta a imitação de Cristo na sua vida mortal, e vida gloriosa 2, 5-11. Estamos perante uma “carga” doutrinal cristologica considerável. Jesus Cristo fez-se presente no meio de nós em forma de Deus 5, o que quer dizer, em natureza ou em essência divina; como mais alem “ em forma de servidor ” o que significará a sua natureza humana. Sendo igual a Deus não se valeu da sua divindade como sendo incompatível com a incarnação. Ele humilhou-se não no sentido metafísico ou gnóstico, mas pela realidade da incarnação. É ao se incarnar que o Verbo feito carne, abandonou para a sua vida terrestre, in natura assumpta a condição da vida divina. Tudo isso fez em favor dos homens, dando assim, o maior exemplo de abnegação. No entanto, ele é o modelo dos cristãos e nos ensina os caminhos pelos quais devemos ser animados.
Fil. 3,4-11
4ainda que eu tenha razões para, também eu, pôr a confiança precisamente nos méritos humanos. Se qualquer outro julga poder confiar nesses méritos, eu posso muito mais: 5circuncidado ao oitavo dia, sou da raça de Israel, da tribo de Benjamim, um hebreu descendente de hebreus; no que toca à Lei, fui fariseu; 6no que toca ao zelo, perseguidor da Igreja; no que toca à justiça - a que se procura na lei - irrepreensível. 7Mas, tudo quanto para mim era ganho, isso mesmo considerei perda por causa de Cristo.
8Sim, considero que tudo isso foi mesmo uma perda, por causa da maravilha que é o conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor: por causa dele, tudo perdi e considero esterco, a fim de ganhar a Cristo 9e nele ser achado, não com a minha própria justiça, a que vem da Lei, mas com a que vem pela fé em Cristo, a justiça que vem de Deus e que se apoia na fé. 10Assim posso conhecê-lo a Ele, na força da sua ressurreição e na comunhão com os seus sofrimentos, conformando-me com Ele na morte, 11para ver se atinjo a ressurreição de entre os mortos.
Aqui, O apostolo exorta os seguidores de Cristo ao desprendimento para que “em Cristo” não caiam no egoísmo que os poderá dividir para sempre. Tal como Jesus que desceu dos céus humilhando-se, tomou a condição de servo para nos salvar, então os fies são também chamados a descer do seu egoísmo e servir o próximo. O Apostolo Paulo nos fala da inutilidade da carne. Reconhece que foi notável o que fez como Judeu zeloso, mas lembra-nos que tudo o que somos capazes de fazer aqui na terra não são nada quando comparadas com a sublimação do conhecimento de Jesus Cristo (v.8). A nossa satisfação deve estar “no Senhor “ e não na nossa própria acção. Por isso, exorta a fidelidade ao Senhor afim de não se criar novos evangelhos que são uma autêntica força de desvio para o caminho da salvação. Estar em Cristo, trata-se de uma comunhão mística em que participamos dos beneficio da Sua morte e ressurreição. Paulo é o grande modelo de abnegação tal como o seu Mestre Jesus. No entanto o seu convite assenta na desvalorização das coisas que consideramos grande considerando-as como perda, tal como o seu antigo sistema de convicção judaico.
Assim como Paulo se revestiu de Cristo, humilhando-se como o Mestre e perdendo todas as coisas por amor a Cristo, assim também os cristão são chamados a imitação de Cristo fazendo-O presente em todas as suas acções. De maneira que venha a dizer com Paulo, tudo quanto para mim era ganho, isso mesmo considerei perda por causa de Cristo (7).
Tende entre vós os mesmos sentimentos, que estão em Cristo Jesus:
6Ele, que é de condição divina,
não considerou como uma usurpação ser igual a Deus;
7no entanto, esvaziou-se a si mesmo,
tomando a condição de servo.
Tornando-se semelhante aos homens
e sendo, ao manifestar-se, identificado como homem,
8rebaixou-se a si mesmo,
tornando-se obediente até à morte
e morte de cruz.
9Por isso mesmo é que Deus o elevou acima de tudo
e lhe concedeu o nome
que está acima de todo o nome,
10para que, ao nome de Jesus,
se dobrem todos os joelhos,
os dos seres que estão no céu,
na terra e debaixo da terra;
11e toda a língua proclame:
"Jesus Cristo é o Senhor!",
para glória de Deus Pai.
Da prisão,Paulo escreve aos irmãos filipenses um apelo emocionante e encorajador para serem unidos e constantes. O hino cristologico vem dar um tom elevado a compreensão da nossa adesão ao Cristo nossa salvação. Na carta aos Filipenses estamos perante uma teologia do dom muito bem elaborada. Por outra lado temos um Paulo que nos exorta a imitação de Cristo na sua vida mortal, e vida gloriosa 2, 5-11. Estamos perante uma “carga” doutrinal cristologica considerável. Jesus Cristo fez-se presente no meio de nós em forma de Deus 5, o que quer dizer, em natureza ou em essência divina; como mais alem “ em forma de servidor ” o que significará a sua natureza humana. Sendo igual a Deus não se valeu da sua divindade como sendo incompatível com a incarnação. Ele humilhou-se não no sentido metafísico ou gnóstico, mas pela realidade da incarnação. É ao se incarnar que o Verbo feito carne, abandonou para a sua vida terrestre, in natura assumpta a condição da vida divina. Tudo isso fez em favor dos homens, dando assim, o maior exemplo de abnegação. No entanto, ele é o modelo dos cristãos e nos ensina os caminhos pelos quais devemos ser animados.
Fil. 3,4-11
4ainda que eu tenha razões para, também eu, pôr a confiança precisamente nos méritos humanos. Se qualquer outro julga poder confiar nesses méritos, eu posso muito mais: 5circuncidado ao oitavo dia, sou da raça de Israel, da tribo de Benjamim, um hebreu descendente de hebreus; no que toca à Lei, fui fariseu; 6no que toca ao zelo, perseguidor da Igreja; no que toca à justiça - a que se procura na lei - irrepreensível. 7Mas, tudo quanto para mim era ganho, isso mesmo considerei perda por causa de Cristo.
8Sim, considero que tudo isso foi mesmo uma perda, por causa da maravilha que é o conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor: por causa dele, tudo perdi e considero esterco, a fim de ganhar a Cristo 9e nele ser achado, não com a minha própria justiça, a que vem da Lei, mas com a que vem pela fé em Cristo, a justiça que vem de Deus e que se apoia na fé. 10Assim posso conhecê-lo a Ele, na força da sua ressurreição e na comunhão com os seus sofrimentos, conformando-me com Ele na morte, 11para ver se atinjo a ressurreição de entre os mortos.
Aqui, O apostolo exorta os seguidores de Cristo ao desprendimento para que “em Cristo” não caiam no egoísmo que os poderá dividir para sempre. Tal como Jesus que desceu dos céus humilhando-se, tomou a condição de servo para nos salvar, então os fies são também chamados a descer do seu egoísmo e servir o próximo. O Apostolo Paulo nos fala da inutilidade da carne. Reconhece que foi notável o que fez como Judeu zeloso, mas lembra-nos que tudo o que somos capazes de fazer aqui na terra não são nada quando comparadas com a sublimação do conhecimento de Jesus Cristo (v.8). A nossa satisfação deve estar “no Senhor “ e não na nossa própria acção. Por isso, exorta a fidelidade ao Senhor afim de não se criar novos evangelhos que são uma autêntica força de desvio para o caminho da salvação. Estar em Cristo, trata-se de uma comunhão mística em que participamos dos beneficio da Sua morte e ressurreição. Paulo é o grande modelo de abnegação tal como o seu Mestre Jesus. No entanto o seu convite assenta na desvalorização das coisas que consideramos grande considerando-as como perda, tal como o seu antigo sistema de convicção judaico.
Assim como Paulo se revestiu de Cristo, humilhando-se como o Mestre e perdendo todas as coisas por amor a Cristo, assim também os cristão são chamados a imitação de Cristo fazendo-O presente em todas as suas acções. De maneira que venha a dizer com Paulo, tudo quanto para mim era ganho, isso mesmo considerei perda por causa de Cristo (7).
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Paralelo entre Fl 2, 6-11 e Fl 3, 4-11
1. Se, no hino cristológico, Jesus, sendo «de condição divina, não considerou como uma usurpação ser igual a Deus; no entanto, esvaziou-se a si mesmo, tomando a condição de servo» (2, 6-7), em Fl 3 Paulo, sendo «circuncidado ao oitavo dia, [sou] da raça de Israel, da tribo de Benjamim, um hebreu descendente de hebreus; no que toca à Lei, [fui] fariseu; no que toca ao zelo, perseguidor da Igreja; no que toca à justiça - a que se procura na lei - irrepreensível» (3, 5-6), afirma que «tudo quanto para mim era ganho, isso mesmo considerei perda por causa de Cristo» (3, 7).
2. À dimensão da morte de Fl 2 («rebaixou-se a si mesmo, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz» (v. 8)) corresponde a dimensão da perda em Fl 3 («Mas, tudo quanto para mim era ganho, isso mesmo considerei perda por causa de Cristo» (v. 7); «Sim, considero que tudo isso foi mesmo uma perda, por causa da maravilha que é o conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor: por causa dele, tudo perdi e considero esterco, a fim de ganhar a Cristo» (v. 8)). Paulo virá a afirmar ainda (ou sobretudo) a necessidade de se conformar com Jesus na morte (Cf. Fl 3, 10).
3. Em paralelo com a Ressurreição de Jesus («Por isso mesmo é que Deus o elevou acima de tudo e lhe concedeu o nome que está acima de todo o nome» (2, 9)) encontramos o desejo de Paulo de tomar parte na ressurreição («para ver se atinjo a ressurreição de entre os mortos» (3, 11)). Note-se como, em ambos os textos, a Ressurreição surge como consequência de uma acção. A de Jesus: «esvaziou-se a si mesmo, tomando a condição de servo. Tornando-se semelhante aos homens e sendo, ao manifestar-se, identificado como homem, rebaixou-se a si mesmo, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz» (2, 7-8); e a de Paulo: «tudo quanto para mim era ganho, isso mesmo considerei perda por causa de Cristo. Sim, considero que tudo isso foi mesmo uma perda, por causa da maravilha que é o conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor: por causa dele, tudo perdi e considero esterco, a fim de ganhar a Cristo e nele ser achado, não com a minha própria justiça, a que vem da Lei, mas com a que vem pela fé em Cristo, a justiça que vem de Deus e que se apoia na fé. Assim posso conhecê-lo a Ele, na força da sua ressurreição e na comunhão com os seus sofrimentos, conformando-me com Ele na morte» (3, 7-10).
Fl 2, 6-11 e Fl 3, 4-11
FL 2,5-11 | FL 3, 4-11 |
5Tende entre vós os mesmos sentimentos, que estão em Cristo Jesus: - O convite a ter os mesmos sentimentos de Cristo 6Ele, que é de condição divina, não considerou como uma usurpação ser igual a Deus; - Cristo não se vangloria da sua condição divina. 7no entanto, esvaziou-se a si mesmo, tomando a condição de servo. Tornando-se semelhante aos homens e sendo, ao manifestar-se, identificado como homem, 8rebaixou-se a si mesmo, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz. - Cristo, filho do Deus Altíssimo e condição divina, humilha-se, morrendo numa Cruz. 9Por isso mesmo é que Deus o elevou acima de tudo e lhe concedeu o nome que está acima de todo o nome, 10para que, ao nome de Jesus, se dobrem todos os joelhos, os dos seres que estão no céu, na terra e debaixo da terra; 11 e toda a língua proclame: "Jesus Cristo é o Senhor!", para glória de Deus Pai. - a Humilhação ou aquilo que aos olhos humanos é uma perda (sofrimento ou a morte). A partir de agora é a vitória e o meio pelo qual Cristo glorifica a Deus. | 3Porque nós é que somos pela circuncisão: nós, os que prestamos culto pelo Espírito de Deus, nos gloriamos em Cristo Jesus e não confiamos na carne - 4ainda que eu tenha razões para, também eu, pôr a confiança precisamente nos méritos humanos. Se qualquer outro julga poder confiar nesses méritos, eu posso muito mais: - Convite a confiar a glorificar-se em Cristo 5circuncidado ao oitavo dia, sou da raça de Israel, da tribo de Benjamim, um hebreu descendente de hebreus; no que toca à Lei, fui fariseu; 6no que toca ao zelo, perseguidor da Igreja; no que toca à justiça - a que se procura na lei - irrepreensível. - Paulo faz uma auto-apresentação da vida. Ele não esconde nada: é da raça de Israel; da tribo de Benjamim; hebreu; fariseu e perseguidor da Igreja. - Ele tinha razões para se exaltar, pois faz parte do «Povo Eleito», mas vai focar aspectos, que são sinais de desprezo ou humilhação («perseguidor da Igreja). 7Mas, tudo quanto para mim era ganho, isso mesmo considerei perda por causa de Cristo. 8Sim, considero que tudo isso foi mesmo uma perda, por causa da maravilha que é o conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor: por causa dele, tudo perdi e considero esterco, a fim de ganhar a Cristo 9e nele ser achado, não com a minha própria justiça, a que vem da Lei, mas com a que vem pela fé em Cristo, a justiça que vem de Deus e que se apoia na fé. 10Assim posso conhecê-lo a Ele, - Paulo, apesar das inúmeras vitórias humilha-se por causa de Cristo. Ele reduz-se toda a sua missão a «esterco». - Paulo, perante a humilhação, encontra-se ou «ganha» Cristo, que não se faz pela Lei (justiça de Paulo), mas pela força de Cristo. Ele, pela força ou pela fé em Cristo, é obediente a vontade de Deus. na força da sua ressurreição e na comunhão com os seus sofrimentos, conformando-me com Ele na morte, 11para ver se atinjo a ressurreição de entre os mortos. - Paulo, no encontro com o ressuscitado, oferece os seus «sofrimentos» e aceita a morte. Perante tais atitudes, a «ressurreição» será a sua recompensa. |
CENTRALIDADE CRISTOLÓGICA EM PAULO
Fl 2. 5-11
Tende entre vós os mesmos sentimentos que estão em Cristo Jesus:
Ele, que é de condição divina, não considerou como uma usurpação ser igual a Deus;
no entanto, esvaziou-se a si mesmo, tomando a condição de servo. Tornando-se semelhante aos homens e sendo, ao manifestar-se, identificado como homem, rebaixou-se a si mesmo, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz.
Por isso mesmo é que Deus o elevou acima de tudo e lhe concedeu o nome que está acima de todo o nome, para que, ao nome de Jesus, se dobrem todos os joelhos, os dos seres que estão no céu, na terra e debaixo da terra; e toda a língua proclame: “ Jesus Cristo é o Senhor!”, para glória de Deus Pai.
Fl 3.4-11
…ainda que eu tenha razões para, também eu, pôr a confiança precisamente nos méritos humanos.
Se qualquer outro julga poder confiar nesses méritos, eu posso muito mais: Circuncidado ao oitavo dia, sou da raça de Israel, da tribo de Benjamim, um hebreu descendente de hebreus; no que toca à Lei, fui fariseu; no que toca ao zelo, perseguidor da Igreja; no que toca à justiça – a que se procura na Lei – irrepreensível.
Mas, tudo quanto para mim era ganho, isso mesmo considerei perda, por causa de Cristo.
Sim, considero que tudo isso foi mesmo uma perda, por causa da maravilha que é o conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor:
Por causa d’Ele, tudo perdi e considero esterco, a fim de ganhar a Cristo e n’Ele ser achado, não com a minha própria justiça, que vem da Lei, mas com a que vem pela fé em Cristo, a justiça que vem de Deus e que se apoia na fé.
Assim posso conhecê-lo a Ele, na força da sua Ressurreição e na comunhão com os seus sofrimentos, conformando-me com Ele na morte, para ver se atinjo a ressurreição de entre os mortos.
À medida que vou percorrendo este caminhar com Paulo e melhor o vou conhecendo, instala-se em mim, cada vez mais profundamente, esta pergunta:
Viver de Cristo… Viver em Cristo… Viver do Absoluto de Cristo… Tudo o resto não tem qualquer importância.
O que se é o que se pensa, o que se decide, o que se faz, o que se ama, o que norteia a vida e lhe dá significado, o que se sofre, passa e é repassado por Cristo… Só neste dinamismo de entrega amorosa se pode dizer com Paulo:
Tende entre vós os mesmos sentimentos que estão em Cristo Jesus:
Ele, que é de condição divina, não considerou como uma usurpação ser igual a Deus;
no entanto, esvaziou-se a si mesmo, tomando a condição de servo. Tornando-se semelhante aos homens e sendo, ao manifestar-se, identificado como homem, rebaixou-se a si mesmo, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz.
Por isso mesmo é que Deus o elevou acima de tudo e lhe concedeu o nome que está acima de todo o nome, para que, ao nome de Jesus, se dobrem todos os joelhos, os dos seres que estão no céu, na terra e debaixo da terra; e toda a língua proclame: “ Jesus Cristo é o Senhor!”, para glória de Deus Pai.
Fl 3.4-11
…ainda que eu tenha razões para, também eu, pôr a confiança precisamente nos méritos humanos.
Se qualquer outro julga poder confiar nesses méritos, eu posso muito mais: Circuncidado ao oitavo dia, sou da raça de Israel, da tribo de Benjamim, um hebreu descendente de hebreus; no que toca à Lei, fui fariseu; no que toca ao zelo, perseguidor da Igreja; no que toca à justiça – a que se procura na Lei – irrepreensível.
Mas, tudo quanto para mim era ganho, isso mesmo considerei perda, por causa de Cristo.
Sim, considero que tudo isso foi mesmo uma perda, por causa da maravilha que é o conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor:
Por causa d’Ele, tudo perdi e considero esterco, a fim de ganhar a Cristo e n’Ele ser achado, não com a minha própria justiça, que vem da Lei, mas com a que vem pela fé em Cristo, a justiça que vem de Deus e que se apoia na fé.
Assim posso conhecê-lo a Ele, na força da sua Ressurreição e na comunhão com os seus sofrimentos, conformando-me com Ele na morte, para ver se atinjo a ressurreição de entre os mortos.
À medida que vou percorrendo este caminhar com Paulo e melhor o vou conhecendo, instala-se em mim, cada vez mais profundamente, esta pergunta:
Que seria da Igreja e dos cristãos sem Paulo ?
Com uma certeza estonteante, prenhe de ousadia inaudita, ele diz-nos o que é ser cristão...
Com uma certeza estonteante, prenhe de ousadia inaudita, ele diz-nos o que é ser cristão...
Viver de Cristo… Viver em Cristo… Viver do Absoluto de Cristo… Tudo o resto não tem qualquer importância.
O que se é o que se pensa, o que se decide, o que se faz, o que se ama, o que norteia a vida e lhe dá significado, o que se sofre, passa e é repassado por Cristo… Só neste dinamismo de entrega amorosa se pode dizer com Paulo:
“De tudo sou capaz n’Aquele que me dá força” Fl 4.13
Jerome Murphy-O’Connor, no seu livro “PAULO” (pág. 186) afirma:
“Fé/fidelidade é o amor que se auto-sacrifica: no acto de amor, Paulo é Cristo, uma vez que torna presente no mundo p próprio ser de Cristo. Mas o mesmo é verdadeiro para todos os crentes comprometidos. Assim, são conjuntamente Cristo, estão «revestidos de Cristo» e são « um só em Cristo Jesus» (Gl 3.27-28)
(…)
A sua Cristologia cresceu como um todo coerente e, o que ao princípio podiam parecer soluções ad hoc, pôde sempre ter a sua origem em discernimentos essenciais interligados”
Jerome Murphy-O’Connor, no seu livro “PAULO” (pág. 186) afirma:
“Fé/fidelidade é o amor que se auto-sacrifica: no acto de amor, Paulo é Cristo, uma vez que torna presente no mundo p próprio ser de Cristo. Mas o mesmo é verdadeiro para todos os crentes comprometidos. Assim, são conjuntamente Cristo, estão «revestidos de Cristo» e são « um só em Cristo Jesus» (Gl 3.27-28)
(…)
A sua Cristologia cresceu como um todo coerente e, o que ao princípio podiam parecer soluções ad hoc, pôde sempre ter a sua origem em discernimentos essenciais interligados”
Paralelo Flp 2, 6-11 e Flp 3, 4-11
No texto de Flp 2, 6-11, encontramo-nos perante um dos mais belos hinos cristológicos do NT. Por outra parte, em Flp 3, 4-11, Paulo faz uma breve resenha autobiográfica, a propósito de 'méritos humanos', pondo em destaque o seu curriculum irrepreensível de judeu piedoso e zeloso.
À primeira vista, pode parecer que um e outro texto têm poucos pontos de contacto. Mas, à luz de uma leitura mais atenta, constata-se que existe um forte elo de ligação entre os dois textos, a tal ponto que as citadas passagens deverão ser lidas em paralelo.
Com efeito, assim como Jesus Cristo, em cumprimento de um acto de desprendimento amoroso total pela humanidade - por parte de Deus -, assumiu a condição de servo, sendo Ele, na verdade, de condição divina; assim também Paulo trocou tudo - desde logo todos os títulos que o confirmavam como um judeu fiel: 'circuncidado ao oitavo dia'; 'da tribo de Benjamim'; 'um hebreu'; mais ainda, 'um fariseu' - por amor Àquele Cristo ressuscitado que se lhe revelou no caminho de Damasco.
Jesus Cristo 'esvaziou-se' ('ekénôsen') para incarnar na história humana e levar por diante o projecto salvífico de Deus, obedecendo até à morte e morte de cruz. Paulo também como que se 'esvazia' de todos os seus títulos e da sua própria justiça, que provinha da lei mosaica, para viver somente da fé em Cristo.
Tudo o que antes Paulo considerava uma mais-valia, um 'ganho', a partir da sua experiência com Cristo ressuscitado, dramaticamente, passa a ser pura e simplesmente irrelevante. De repente, não há mais que um objectivo: Paulo quer configurar-se totalmente com o exemplo de humildade e desconcerto (humano) dado por Cristo, e assim viver, e assim morrer, e assim ressuscitar com Ele.
À primeira vista, pode parecer que um e outro texto têm poucos pontos de contacto. Mas, à luz de uma leitura mais atenta, constata-se que existe um forte elo de ligação entre os dois textos, a tal ponto que as citadas passagens deverão ser lidas em paralelo.
Com efeito, assim como Jesus Cristo, em cumprimento de um acto de desprendimento amoroso total pela humanidade - por parte de Deus -, assumiu a condição de servo, sendo Ele, na verdade, de condição divina; assim também Paulo trocou tudo - desde logo todos os títulos que o confirmavam como um judeu fiel: 'circuncidado ao oitavo dia'; 'da tribo de Benjamim'; 'um hebreu'; mais ainda, 'um fariseu' - por amor Àquele Cristo ressuscitado que se lhe revelou no caminho de Damasco.
Jesus Cristo 'esvaziou-se' ('ekénôsen') para incarnar na história humana e levar por diante o projecto salvífico de Deus, obedecendo até à morte e morte de cruz. Paulo também como que se 'esvazia' de todos os seus títulos e da sua própria justiça, que provinha da lei mosaica, para viver somente da fé em Cristo.
Tudo o que antes Paulo considerava uma mais-valia, um 'ganho', a partir da sua experiência com Cristo ressuscitado, dramaticamente, passa a ser pura e simplesmente irrelevante. De repente, não há mais que um objectivo: Paulo quer configurar-se totalmente com o exemplo de humildade e desconcerto (humano) dado por Cristo, e assim viver, e assim morrer, e assim ressuscitar com Ele.
domingo, 2 de maio de 2010
Paulo na sua doença
Gal 4, 13-14
«Mas sabeis que foi por causa de uma doença corporal que vos anunciei o Evangelho pela primeira vez. Embora o meu corpo fosse para vós uma provação, não reagistes com desprezo nem nojo. Pelo contrário: recebestes-me como um anjo de Deus, como a Cristo Jesus.?»
Quando olhamos para está pequeno exerto da carta aos Gálatas apercebemo-nos que Paulo não teria a intenção de evangelizar a Galácia. O seu objectivo não era aproximar-se do interior mas sim das costas do mar Egeu.
O que nos é revela-do é chegou lá, pelos vistos, por motivos de saúde. Paulo está doente e chega à Galácia doente. Ele sente-se na fraqueza, debilitado, diminuído, que não se pode apresentar. Conhece, porém um acolhimento da parte dos Gálatas.
Que tipo de doença era? Podemos colocar uma hipotese de ser oftalmológica (por falar em que eles estão dispostos a arrancar os olhos, porém pode ser uma simples doença). A doença aparece num momento duro da vida de Paulo. O conflito em Damasco, deixa paulo numa situação difícil. Era lá que ia desempenhar pela primeira vez a autoridade de chefe de missão. Porém fica doente fisicamente e ao mesmo tempo espiritualmente, pois além de ser momento de extrema fraqueza, é também de questionamento. Depois da luta toda que Paulo teve, é a sua própria saúde que o atraiçoa.
Parém acontece uma surpresa total no encontro com os Gálatas. A maior surpresa de Paulo é que os Gálatas se converteram. No extremo da sua fraqueza, onde seria imprevisível e não suposto a evangelização, eles convertem-se. Assim, dedus que o Evangelho não está presente na força, na sua eloquência. Aquele que não tinha qualquer atractivo humano, torna-se o lugar da conversão.
Os Gálatas surpreenderam Paulo com esta alegria,mostrando-lhe que Deus actua inversamente, ao contrário, manifesta a força na fraqueza.
«Mas sabeis que foi por causa de uma doença corporal que vos anunciei o Evangelho pela primeira vez. Embora o meu corpo fosse para vós uma provação, não reagistes com desprezo nem nojo. Pelo contrário: recebestes-me como um anjo de Deus, como a Cristo Jesus.?»
Quando olhamos para está pequeno exerto da carta aos Gálatas apercebemo-nos que Paulo não teria a intenção de evangelizar a Galácia. O seu objectivo não era aproximar-se do interior mas sim das costas do mar Egeu.
O que nos é revela-do é chegou lá, pelos vistos, por motivos de saúde. Paulo está doente e chega à Galácia doente. Ele sente-se na fraqueza, debilitado, diminuído, que não se pode apresentar. Conhece, porém um acolhimento da parte dos Gálatas.
Que tipo de doença era? Podemos colocar uma hipotese de ser oftalmológica (por falar em que eles estão dispostos a arrancar os olhos, porém pode ser uma simples doença). A doença aparece num momento duro da vida de Paulo. O conflito em Damasco, deixa paulo numa situação difícil. Era lá que ia desempenhar pela primeira vez a autoridade de chefe de missão. Porém fica doente fisicamente e ao mesmo tempo espiritualmente, pois além de ser momento de extrema fraqueza, é também de questionamento. Depois da luta toda que Paulo teve, é a sua própria saúde que o atraiçoa.
Parém acontece uma surpresa total no encontro com os Gálatas. A maior surpresa de Paulo é que os Gálatas se converteram. No extremo da sua fraqueza, onde seria imprevisível e não suposto a evangelização, eles convertem-se. Assim, dedus que o Evangelho não está presente na força, na sua eloquência. Aquele que não tinha qualquer atractivo humano, torna-se o lugar da conversão.
Os Gálatas surpreenderam Paulo com esta alegria,mostrando-lhe que Deus actua inversamente, ao contrário, manifesta a força na fraqueza.
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