quarta-feira, 31 de março de 2010
O MINISTÉRIO FEMININO NAS IGREJAS DE PAULO
NAS
IGREJAS DE PAULO
O’Connor, no seu livro «Paulo e as mulheres», começa por formular a seguinte pergunta: “Porque é que, em qualquer discussão que diga respeito ao lugar das mulheres na Igreja, é dada tanta proeminência ao Apóstolo Paulo ?”
Como resposta a esta questão elenca quatro razões fundamentais:
1º “Porque tem mais para dizer acerca das mulheres, directa ou indirectamente,
do que qualquer outro escritor do Novo Testamento”.
2º “Porque o que ele tem para dizer é tão surpreendente complexo e original que
merece um tratamento detalhado”.
Acrescentando que, o que Paulo escreveu, deve ser cuidadosamente separado das ideias de outros que, em seu nome, escreveram.
3º “Os seus ensinamentos proporcionam-nos uma plataforma, a partir da qual
podemos olhar para trás, para as mulheres ligadas a Jesus, como descrito
nos Evangelhos e podemos olhar para a frente, para o legado de Paulo, nu-
ma Igreja que não se conformou com os seus ideais”.
4º Nesta última razão, O’Connor afirma que “a visão de Paulo sobre o lugar
das mulheres na Igreja tem sido o campo de batalha, no qual os temas fe-
ministas eclesiásticos foram e continuam a ser debatidos”.
Ao longo do tempo e da história, a autoridade do Apóstolo foi invocada, em perspectivas radicalmente opostas:
“Quer para reduzir as mulheres ao silêncio quer para promover a sua progressão no ministério”. Afirma O’Connor.
Retenho na memória o que bastantes vezes ouvi dizer em nome de Paulo: « a mulher, na Igreja, cala-se»
O’Connor afirma que “esta contradição pede clarificação”.
Considero que a abordagem deste tema, constitui um interessante e entusiasmante desafio. Vivamente espero que outros também se possam contagiar para ajudar a esta clarificação.
É na carta aos Filipenses que aparecem as declarações mais explícitas de Paulo, acerca da colaboração das mulheres no ministério.
Em Fl 4. 2-3 Paulo diz: Exorto Evódia e exorto Síntique a terem o mesmo pensamento no Senhor. Sim, e a ti, fiel Sízigo, peço-te que as acolhas; são pessoas que, em conjunto, lutaram comigo pelo Evangelho, juntamente com Clemente e os meus restantes colaboradores, cujos nomes estão no livro da vida.
domingo, 28 de março de 2010
Os cristãos são os bobos do mundo
A situação deste palhaço é comparável à situação dos cristãos – hoje e desde sempre, como o atesta o exemplo de S. Paulo –, que não conseguem transmitir a mensagem por causa da roupagem desadequada que usam. Esta visão, tendo provavelmente um fundo de verdade, pressupõe que o fulcro do problema do anúncio cristão é uma questão de roupagem. Mudando a roupagem, a mensagem seria acolhida sem problemas. Porém, numa observação mais atenta, é possível notar que talvez o problema maior do anúncio cristão radique precisamente no conteúdo da mensagem: Cristo crucificado.
quinta-feira, 25 de março de 2010

No Livro dos Actos dos Apóstolos encontramos três narrativas que nos oferecem elementos comuns e diferenciados a emoldurar a cena do aparecimento de Jesus ressuscitado a Saulo (Act 9, 1-25; 22, 1-21; 26, 1-23). Como vemos pelo esquema apresentado estas narrativas oferecem-nos um jogo de variantes e similitudes que nos interpelam.
Certamente, que se nos posicionamos de forma histórico-matemática perante estes relatos teremos que os rejeitar, isto porque desse prisma as parecenças são ofuscadas pelas desigualdades. Porém, se relermos este texto a partir de um prisma narrativo ele assume uma força e uma erudição que impressionam. Certamente a partir destes novos óculos poderemos perscrutar mais genuinamente a intenção do narrador. Porque será que Lucas nos faz olhar a estrada de Damasco três vezes e de forma diferenciada?
Uma das razões exegéticas será o facto de Lucas ter contactado com várias fontes e tradições. Poderemos ver que haveria a tradição da narração do encontro com Jesus ao rei Agripa (cap. 26) e à multidão Judaica (cap. 22). Destas tradições o próprio Lucas terá elaborado a sua síntese (cap. 9).
Outra das teses que se tem desenvolvido bastante é aquela (de D.M.Stanley) que procura integrar estas três narrativas no que foi o projecto do livro dos Actos dos Apóstolos (Act 1, 1-3) e mais globalmente no projecto lucano apresentado no início do terceiro Evangelho (Lc 1, 1-4).
Então, será importante, num primeiro momento considerarmos uma visão panorâmica de cada um dos passos a partir de algumas perguntas: “onde?”; “quando?”; “com quem?”; “como?”; no final destas repostas, procurar o objectivo de cada uma das narrativas de forma singular. Depois será importante determinar as similitudes e as diferenças, sempre acompanhados da pergunta “porque?”.
A partir deste exercício, ficam claras profundidades que desconhecíamos nestes textos. A recomposição desta cena em três tempos tem o objectivo de não deixar escapar nenhuma das dimensões implicatórias desta teofania. Em Act 9 vemos como este acontecimento provoca uma reflexão eclesial profunda; por outro lado em Act 22 vemos um Paulo judaizante; finalmente em Act 26 encontramos a legitimação gentílica. Note-se que especialmente estes dois últimos episódios vão ao encontro do que Daniel Marguerat diz ser o “projecto lucano de integração”.
Concluindo, o caminho de Damasco (X3) permite ao autor lucano produzir o desabrochar do tema teológico que dá razão e supera todos os outros: o poder do Ressuscitado como força transformadora da própria história.
Biblioografia: MARGUERAT, Daniel, The First Christian Historian: Writing the “Acts of the Apostles”, Traduzido para Inglês por Ken McKinney, Gregory J. Laughery, e Richard Bauckham, Society for New Testament Studies Monograph Series. Cambridge University Press, 2002.
Sobretudo pp. 179-204
terça-feira, 23 de março de 2010
Comentários ao quadro sinóptico-Manas Dorey
NB :
Relator não é o mesmo nos três relatos.
No 1º Relato- Lucas conta a experiência que teve Paulo em Damasco e a sua vocação.
No 2º Relato – Paulo, como judeu observante da lei, fala à multidão enfurecida, que o queria matar.
No 3º relato – Paulo conta, em nome próprio, ao Rei Agripa (romano, filho de Herodes) o acontecimento de Damasco para se defender da condenação dos judeus.
Quanto à estrutura dos textos, as informações sucedem-se de forma objectiva e linear; quanto à intenção esta, é predominantemente informativa;
ANÁLISE DOS 3 RELATOS:
Uma vez que já foram feitas várias apresentações de quadros sinópticos da narrativa de Actos 9 com os discursos autobiográficos homólogos dos capítulos 22 e 26, a nossa análise centrou-se mais em perguntas relativas às diferenças e semelhanças entre os três relatos, do que às respostas das suas semelhanças e diferenças.
Apresentamos em seguida as nossas perplexidades:
· Porque é que em 9, 1-2 e em 22, 1-4 se chama ao cristianismo o caminho?
· Porque é que, no discurso em Jerusalém aparece a referência à hora do meio-dia em 22,6 e 26,16 e não aparece em 9, 1-25?
· Porquê a contradição entre “ouvindo a voz e não vendo ninguém” em 9,7 e em 22,9 “viram a luz mas não escutaram a voz de quem falava comigo”?
· Porquê em 9,8 Saulo “ergue-se no chão” e em 22,10 e 26,16 é Deus que o manda levantar?
· Porque é que em 9,8 “conduzindo-o então pela mão, fizeram-no entrar em Damasco” e em 22,10 foi o Senhor que lhe disse: “levanta-te e entra em Damasco”?
· Porque é que o episódio de Ananias referido em 9,10-19 e em 22,12-16 é omisso em 26,1-23?
· Porque é que há o chamamento e a missão de Ananias em 9,10-16 e em 22 não aparece?
· Porque é que Ananias e Paulo colocam objecções às ordens de Deus em 9,13-14 e em 19-20 ?
· Porque é que em 9,9 e 9, 18-19 Paulo esteve três dias sem comer nem beber e há muita informação sobre a sua cegueira e isto é omisso em 22 e 26 sendo que em 22, a informação sobre a sua cegueira é escassa?
· Porque é que Ananias se apresenta a Paulo como enviado de Deus em 9,17 e em 22,12-13 não refere quem o envia?
· Porque é que o baptismo de Paulo é referido em 9,18 e em 22,16 e é omisso em 26,1-23?
· Porque é que só em 22,17 se refere o êxtase de Paulo e o que significa êxtase para os judeus?
· Porque é que só em 9,21 se refere ao espanto dos ouvintes de Paulo perante a sua mudança e é omisso em 22,1-21 e 26,1,23?
· Porque é que só em 22,20 se refere o martírio de Estevão?
Manuela Manoel, Inês, d’Orey e Cecília d’Orey
sinopse-Manas Dorey
| Actos 9,1-25 – Vovação de Saulo | Actos 22 , 1-21 – Discurso de Paulo aos Judeus de Jerusalém | Actos 26,1-23 – Discurso de Paulo perante o Rei Agripa |
| Saulo respirando ainda ameaças de morte contra os discípulos do senhor, dirigiu-se ao Sumo Sacerdote. Foi pedir-lhe cartas para as sinagogas de Damasco, afim de poder trazer para Jerusalém, presos, os que lá se encontrassem pertencendo ao Caminho quer homens, quer mulheres. Estando ele em viagem e aproximando-se de Damasco, subitamente uma luz vinda do céu o envolveu de claridade. Caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: “Saúl, Saúl porque me persegues?”. Ele perguntou: “quem és, Senhor?”. E a resposta: “eu sou Jesus, a quem tu persegues. Mas levanta-te, entra na cidade, e te dirão o que deves fazer.” Os homens que com ele viajavam detiveram-se, emudecidos de espanto, ouvindo a voz mas não vendo ninguém. Saulo ergueu-se do chão. Mas, embora tivesse os olhos abertos, não via nada. Conduzindo-o, então, pela mão, fizeram-no entrar em Damasco. Esteve 3 dias sem ver, e nada comeu nem bebeu. Ora, vivia em Damasco, um discípulo chamado Ananias. O senhor lhe disse em visão:”Ananias!” Ele respondeu:”estou aqui Senhor!” e o Senhor prosseguiu:”levanta-te, vai pela rua chamada direita e procura, na casa de Judas, por alguém de nome Saulo de Tarso. Ele ora e acaba de ver um homem chamado Ananias entrar e lhe impor as mãos, para que recobre a vista.” Ananias respondeu:”Senhor ouvi de muitos, a respeito desse homem, quantos males fez a teus santos em Jerusalém. E aqui está com autorização dos chefes dos sacerdotes para prender a todos os que invocam o teu nome.” Mas o Senhor insistiu: “ Vai, porque este homem é para mim um instrumento de escol, para levar o meu nome diante das nações magas, dos reis, e dos Israelitas . Eu mesmo lhe mostrarei quanto lhe é preciso sofrer em favor do meu nome.” Ananias partiu. Entrou na casa, impôs sobre ele as mãos e disse:” Saul meu irmão, o Senhor me enviou, Jesus, o mesmo que te apareceu no caminho por onde vinhas. É para que recuperes a vista e fiques repleto do espírito Santo.” Logo caíram-lhe dos olhos umas como escamas, e recuperou a vista . Recebeu, então, o baptismo, e, tendo tomado alimento, sentiu-se reconfortado . Saulo esteve alguns dias com os discípulos em Damasco, e , imediatamente, nas Sinagogas, começou a proclamar Jesus , afirmando que é o Filho de Deus. Todos os que o ouviam ficavam estupefactos e diziam : “ Mas não é este o que devastava em Jerusalém os que invocavam esse nome, e veio para cá expressamente com o fim de prendê-los e conduzi-los aos chefes dos sacerdotes? “ Saulo, porém, crescia mais e mais em poder e confundia os Judeus que moravam em Damasco, demonstrando que Jesus é o Cristo. Decorridos muitos dias, os Judeus deliberaram entre si como matá-lo. Mas Saulo teve conhecimento dessa trama. Vigiavam até as portas da cidade de dia e de noite para o matarem. Então os discípulos, uma noite fizeram-no descer numa muralha oculto num cesto. | Irmãos e Pais, escutai a minha defesa, que tenho agora para vos apresentar. Tendo ouvido que lhes dirigia a palavra em língua hebraica, fizeram mais silencio ainda. Ele prosseguiu : ”Eu sou Judeu. Nasci em Tarso , da Cilícia, mas criei-me nesta cidade, educado aos pés de Gamaliel na observância exacta da lei de nossos pais, cheio de zelo por Deus, como vós todos no dia de hoje. Persegui de morte este Caminho, prendendo e lançando à prisão homens e mulheres, como o podem testemunhar o Sumo sacerdote e todos os anciãos. Deles cheguei a receber cartas de recomendação para os irmãos de Damasco, e para lá me dirigi, a fim de trazer algemados para Jerusalém os que lá estivessem, para serem aqui punidos. Aconteceu , que estando eu a caminho e aproximando-me de Damasco, de repente, por volta do meio dia, uma grande luz vinda do céu, brilhou ao redor de mim. Cai ao chão e ouvi uma voz que me dizia : “ Saul, Saul porque me persegues ?” Respondi : “ Quem és Senhor ?” Ele me disse : “ Eu sou Jesus o Nazareu a quem tu persegues “. Os que estavam comigo viram a luz, mas não escutaram a voz de quem falava comigo. Eu prossegui: “ Que devo fazer Senhor ? “ E o Senhor me disse: “ Levanta-te e entra em Damasco, lá te dirão tudo o que te é ordenado fazer.” Como eu não enxergasse mais por causa do fulgor daquela luz, cheguei a Damasco levado pela mão dos que estavam comigo. Certo Ananias, homem piedoso segundo a Lei, de quem davam bom testemunho todos os Judeus da cidade , veio ter comigo .De pé, diante de mim, disse-me : “ Saul meu irmão, recobra a vista. E eu , na mesma hora, pude vê-lo. Ele disse então : O Deus de nossos pais te predestinou para conheceres a sua vontade . Veres o justo e ouvires a voz saída da sua boca. Pois tu hás-de ser sua testemunha perante todos os homens do que viste e ouviste. E agora que esperas ? recebe o baptismo e lava-te dos teus pecados invocando o seu nome!” Depois tendo eu voltado a Jerusalém e orando no templo, sucedeu-me entrar em êxtase. E vi o Senhor que me dizia : “ Apressa-te ,sai logo de Jerusalém porque não acolherão o teu testemunho a meu respeito.” Retruquei então: “Mas, Senhor, eles sabem que era eu quem andava prendendo e vergastando, de sinagoga em sinagoga, os que criam em ti. E quando derramaram o sangue de Estêvão tua testemunha, eu próprio estava presente, apoiando aqueles que o matavam, e mesmo guardando suas vestes. Ele contudo me disse : “ Vai porque é para os gentios, para longe que quero enviar-te . | Dirigindo-se a Paulo disse Agripa : Tens permissão de falar em teu favor. Então estendendo a mão começou Paulo a sua defesa : “ Considero-me feliz , ó Rei Agripa, para poder hoje diante de ti, defender-me de todas as coisas que pelos Judeus sou acusado , tanto mais que estais ao corrente de todos os costumes e controvérsias dos Judeus, razão também pela qual te peço que me escutes com paciência . O que foi o meu modo de viver desde a mocidade, como transcorreu desde o inicio, no meio do meu povo e em Jerusalém, sabem-no todos os Judeus. Eles me conhecem de longa data e podem atestar se quiserem, que tenho vivido segundo a seita mais severa da nossa religião como fariseu. E agora estou sendo aqui julgado por causa da esperança da promessa feita por Deus aos nossos pais, à qual esperam chegar as nossas doze tribos, que servem a Deus noite e dia , com todo ardor. É por causa dessa esperança, ó rei, que pelos Judeus sou acusado, entretanto, porque se julga incrível, entre vós, que Deus ressuscite dos mortos ? Quanto a mim parecia-me necessário fazer muitas coisas contra o nome de Jesus o Nazareu. Foi o que fiz em Jerusalém: a muitos dentre os santos ,eu mesmo encerrei nas prisões, recebida a autorização dos chefes dos sacerdotes ; e, quando eram mortos ,eu contribuía com o meu voto. Muitas vezes, percorrendo todas as sinagogas , por meio de torturas quis forçá-los a blasfemar; e, no excesso do meu furor, cheguei a persegui-los até em cidades estrangeiras. Com este intuito encaminhei-me a Damasco, com a autoridade e a permissão dos Chefes dos Sacerdotes. No caminho pelo meio dia, eu vi, ó Rei, vinda do céu e mais brilhante que o sol, uma luz que circundou a mim e aos que me acompanhavam. Caímos todos por terra, e ouvi uma voz que me falava em língua hebraica : “ Saul , Saul, porque me persegues ? É duro para ti recalcitrar contra o aguilhão ? “Perguntei : “ Quem és Senhor ?” E o Senhor respondeu-me : “ Eu sou Jesus a quem tu persegues . Mas levanta-te e fica firme em pé, pois, este é o motivo porque te apareci : para constituir-te servo e testemunha da visão na qual me viste e daquelas nas quais ainda te aparecerei . Eu te livrarei do povo e das nações gentias às quais te envio para lhes abrires os olhos e assim se converterem das trevas à luz e da autoridade de Satanás para Deus . De tal modo receberão, pela fé em mim, a remissão dos pecados e a herança entre os santificados . Quanto a mim , Rei Agripa , não me mostrei rebelde à visão celeste. Ao contrário, primeiro aos habitantes de Damasco, aos de Jerusalém e em toda a região da Judeia e depois aos gentios, anunciei o arrependimento e a conversão a Deus com a prática de obras dignas desse arrependimento. É por causa disso que os Judeus, tendo-se apoderado de mim no templo tentaram matar-me. |
Quadro sinóptico do relato da epifania de Paulo
| Acts 9. 1–25 | Acts 22. 1–21 | Acts 26. 1–23 |
| i. vv. 1–2:Introdução: Saulo, perseguidor de cristãos | i. vv. 1–2: Discurso: durante a prisão de Paulo no templo | i. vv. 1–3: Discurso: Paulo Preso e levado à presença do rei Agripa |
| ii. vv. 3–7: Epifania de Cristo (com diálogo) | ii. vv. 3–5: Judeu, perseguidor de cristãos | ii. vv. 4–8: Paulo fariseu |
| iii. vv. 8–9: Efeitos da aparição em Saulo | iii. vv. 6–11: Epifania de Cristo (com diálogo) | iii. vv. 9–11: Paulo, perseguidor de cristãos |
| iv. vv. 10–16: O Senhor dirige-se a Ananias numa visão (Visão de Saulo) | iv. vv. 12–16: Encontro com Ananias (Judeu) e baptismo de Paulo | iv. vv. 12–18: Epifania (chamamento de Paulo) |
| v. vv. 17–19a: Imposição das mãos por Ananias e baptismo de Saulo. | v. vv. 17–21: Êxtase no templo de Jerusalém | |
| vi. vv. 19b–25: Efeito. Saulo, testemunha de Cristo, e ameaçado de morte. | vi. vv. 22: A multidão pede a sua morte | vi. vv. 19–23: Efeito. testemunha de Cristo e perseguido. |
| vii. vv. 26–30: conspiração contra Saulo | | vii. 27–28: viagem a Roma |
ENCONTRO FULMINANTE de SEDUÇÃO e FASCÍNIO
«Não vi Jesus, nosso Senhor?» 1Cor 9.1
Experiência Pascal de vertigem e sobressalto, mergulho inaudito no Mistério insondável de Jesus Cristo.
Na vida de Paulo opera-se uma viragem radical. A densidade e grandeza desta mudança, provocada pelo encontro com Jesus Ressuscitado «Fui alcançado por Cristo Jesus» Fil 3.12, lança-o num caminho totalmente diferente. O poder irresistível de Jesus agarra, apanha, toma na totalidade do seu ser, aquele que, sendo já um apaixonado, se torna o apaixonado do Senhor Jesus Cristo.
Afigurou-se-me ver como metáfora desta reviravolta, ainda que como pálida imagem, o que a ciência afirma em relação à “atracção dos buracos negros”:
“A atracção gravitacional dos buracos negros é
de tal magnitude que até os feixes luminosos
incididos nas suas proximidades são obrigados
à propagação curvilínea.”
O projecto de Paulo antes deste encontro consistia em defender e propor a Lei. Jesus troca-lhe as voltas e impele-o a “curvar-se” ao poder do Seu Amor. Paulo passa a considerar que, o que então para ele era lucro, a ser uma perda: «Sim considero que tudo isto foi mesmo uma perda, por causa da maravilha que é o conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor: por causa dele tudo perdi e considero esterco, a fim de ganhar a Cristo e nele ser achado, não com a minha própria justiça, que vem da Lei, mas com a que vem pela fé em Cristo, a justiça que vem de Deus e que se apoia na fé. Assim posso conhecê-lo a Ele, na força da sua ressurreição e na comunhão com os seus sofrimentos, conformando-me com Ele na morte, para ver se atinjo a ressurreição de entre os mortos» Fil 3.8-11.
Paulo acolheu, no interior e no contexto da sua própria história, o Mistério de Cristo Ressuscitado e, por isso, diz: « Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim. E a vida que agora tenho na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus que me amou e a si mesmo se entregou por mim» Gal 2.20.
Da profunda certeza de que Jesus o ama e deu a vida por ele, brota incessante a torrente da alegria que Paulo quer, continuamente, fazer chegar ao âmago das comunidades cristãs: « Alegrai-vos sempre no Senhor - έν Кυρίω
De novo o digo: Alegrai-vos!» Fil 4.4