segunda-feira, 14 de junho de 2010

Éfeso: Um Estudo Histórico-Cultural e Contextual

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A Religião de Éfeso

Como todos os centros comerciais, Éfeso provia uma atmosfera cosmopolita, combinando as culturas grega e romana. A cidade também era um centro de adoração e atraía grande número de peregrinos e seguidores religiosos..

O culto de Ártemis em Éfeso era anterior ao povoamento grego em Éfeso; o próprio nome Ártemis não é grego. A deusa era tradicionalmente venerada como protetora das criaturas selvagens. Essa associação com as criaturas selvagens sobreviveu, de uma forma alterada, em sua adoração em terras gregas como “a rainha e caçadora, vigem e justa.” A Ártemis de Éfeso, por outro lado, parece ter adquirido algumas características da grande deusa-mãe venerada desde o tempo imemorial na Ásia Menor.

Segundo Fant e Reddish, os nativos adoravam a deusa Cibele. Os colonos gregos assimilaram a religião regional e identificaram Cibele com a deusa grega Ártemis, a caçadora virgem. Os romanos, posteriormente, identificaram Ártemis com Diana.

Ártemis era uma antiga deusa de associações mistas. Ela estava identificada com a fertilidade e nascimento. Mesmo que fosse adorada muito tempo antes da dominação grega ou romana, seu culto eventualmente se fundiu com sua contraparte romana Diana, sendo conhecida como a deusa da caça e da lua.

Éfeso tornara-se um ponto de miscigenação racial, um centro comercial cosmopolita do Império, e um campo de batalha religioso. De acordo com Couch, a divindade ali adorada, antes de se tornar conhecida como Ártemis, era a Astarote dos fenícios. Independente da versão, essa deusa da fertilidade era adorada com prostituição legalizada, subsídios comercializados e um maravilhoso templo.

O culto a Ártemis era marcado por zelo missionário e se espalhou para o ocidente. A deusa competiu com o cristianismo primitivo em sua missão universal, provendo até mesmo revelação por sonhos para o crescimento do seu culto. Lucas descreve a missão em Éfeso como sendo inspirada por sonhos e visões (Atos 2:17; 9:10; 10:10; 16:9; 18:9; 23:11).

A idolatria e a imoralidade eram tão más em Éfeso que a cidade foi apelidada de arch paganismi, “o cúmulo do paganismo.” O Templo de Ártemis iniciou um badalado centro de manufactura de ídolos. Prostitutas e pornografia eram o próximo item básico oferecido aos peregrinos e turistas.

Para os efésios, o templo e a adoração à Ártemis representavam oportunidades econômicas tanto quanto orgulho cívico Éfeso também era um centro de aprendizado e prática de artes mágicas e práticas ocultas. O povo acreditava em amuletos, poções, palavras mágicas e feitiços.

Mesmo entre os efésios praticantes de magia o evangelho provou seu poder. Muitos deles acreditavam, e vieram até Paulo e seus companheiros missionários, confessando seus sortilégios e revelando seus feitiços. De acordo com a teoria mágica, a potência de um feitiço estava ligado ao seu segredo; se fosse divulgado, se tornava ineficaz. Então estes magos convertidos renunciaram seu poder imaginário ao tornar seus feitiços inoperantes. Muitos deles também reuniram seus papiros mágicos e fizeram uma fogueira com eles. Alguns desses rolos mágicos sobreviveram até nossos dias. A conexão especial de Éfeso com a mágica é reflectida pelo termo “cartas dos efésios” para os rolos mágicos

3 comentários:

  1. Achei muito rico o que escrevestes, mas gostaria de saber quem assina o artigo, caso eu algum dia fale a respeito quero citar o autor.

    pastoralcedir@gmail.com

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  2. Riqueza de detalhes e muito conhecimento. Parabéns!

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